PODRIDÃO DO COLO
PODRIDÃO DO COLO (Phytophthora spp.)
Informação sobre a Podridão do Colo no amendoeira e medidas de proteção contra estas doenças.
Descrição:
Diferentes espécies de Phytophthora spp. podem atacar a amendoeira, podendo inclusive desenvolver-se em simultâneo. Provocam podridões tanto na raiz como no colo da árvore. A incidência deste agente patogénico aumenta em plantações de regadio, uma vez que o encharcamento e a humidade excessiva favorecem o seu desenvolvimento. Trata-se de um fungo endoparasita de crescimento indeterminado. É capaz de permanecer no solo de forma saprófita, na ausência do hospedeiro, sobre substratos orgânicos, como restos vegetais e húmus. Pode desenvolver o ciclo de diferentes formas, sexual ou assexuada, consoante as condições de arejamento, humidade, nutrição, temperatura, etc. O fungo costuma penetrar no hospedeiro através de feridas superficiais desprotegidas e de aberturas naturais. A suscetibilidade do hospedeiro depende sobretudo da variedade e dos solos que mantêm um elevado nível de humidade durante longos períodos.
Sintomas e danos:
A manifestação dos sintomas depende do nível de afetação dos tecidos das raízes e do colo, bem como da rapidez da sua destruição. O ataque localiza-se no colo da árvore e no início das raízes principais. Progressivamente, a casca desta zona vai apodrecendo e desidratando, adquirindo uma coloração mais escura e podendo chegar a envolver completamente a parte afetada. No câmbio observa-se uma coloração anormal castanha. Normalmente, a doença avança rapidamente e as árvores atacadas apresentam sintomas mais ou menos acentuados consoante a gravidade, tais como enfraquecimento geral da árvore, murchidão, queda das folhas, frutos de pequeno calibre e má maturação, colapso e morte.
Período crítico para a cultura:
Períodos superiores a 24 horas de solo saturado de água favorecem as infeções por Phytophthora spp. Também pode acontecer que, durante os períodos de seca, a árvore fique debilitada, situação que os órgãos de reprodução do fungo aproveitam para prosperar entre as células com falta de turgescência. Por isso, é conveniente evitar períodos de seca seguidos de regas abundantes.
Acompanhamento e estimativa do risco para a cultura:
Em variedades sensíveis e locais com humidade excessiva, deve observar-se visualmente se ocorre um enfraquecimento geral da árvore e detetar sintomas no colo e nas raízes. Estes sintomas costumam ser detetados no final do inverno e início da primavera, coincidindo com um aumento das temperaturas. Deve ter-se em conta que nem todos os porta-enxertos são resistentes às diferentes espécies de Phytophthora. Em geral, observa-se que os porta-enxertos de ameixeira são mais resistentes do que os de pessegueiro ou os híbridos de pessegueiro-amendoeira. Em locais onde exista infeção, há o risco de contaminação através da água de rega.
Medidas de prevenção e/ou culturais:
Nesta cultura, a estratégia contra a doença baseia-se em medidas de prevenção e culturais. As medidas que podem ser aplicadas são: a utilização de porta-enxertos resistentes, a existência de boas drenagens que evitem a acumulação de água em épocas de chuvas abundantes, evitar solos compactados que mantenham humidade excessiva e dificultem o crescimento das raízes. Efetuar regas mais frequentes, mas mais curtas, sem encharcar a zona próxima do colo. Evitar lesões no tronco provocadas pela utilização de alfaias, não aplicar matéria orgânica em decomposição junto à base do tronco. É também conveniente eliminar as árvores e as raízes afetadas. Em caso de replantação de uma zona afetada, eliminar antecipadamente os restos vegetais e as raízes da cultura anterior e deixar o terreno em pousio ou com culturas herbáceas, arejando-o frequentemente.
Limiar/Momento de intervenção:
Em caso de deteção, atuar aos primeiros sintomas.
PROTETORES RECOMENDADOS PARA AMENDOEIRA
Variedades: Antoñeta, Penta, Constantí, Soleta, Guara, Vairo, Marinada, Lauranne Avijor, Belona.
Protetores Cuidatree recomendados para amendoeira:
- 40×14
- 50×14 liso e perfurado.
- 55×20 liso e perfurado.
- 60×14 perfurado.
- 75×14.
Medidas alternativas ao controlo químico:
Para minimizar a utilização de meios químicos, devem ser consideradas medidas de prevenção e/ou culturais, que podem constituir alternativas ao controlo químico.
- Meios físicos: Nas árvores afetadas, pode-se descobrir a base do tronco para facilitar o arejamento.
Meios químicos:
À data da publicação do guia, não existem tratamentos químicos autorizados para esta utilização na cultura da amendoeira.
Bibliografia:
Manual de produção de amêndoas. Warren C. Mike. Universidade da Califórnia. 1996. Doenças das árvores de fruto de pomo e caroço. 2000. E. Montesinos, P. Melgarejo, M. A. Cambra, J. Pinochet. Monografia n.º 3 da Sociedade Espanhola de Fitopatologia (SEF). Ed. Mundi-Prensa. Gestão Integrada 139 de Pragas ANEXO DE FICHAS DE PRAGAS Doenças causadas por fungos do solo em citrinos. D. Villalba Buendía. Argraia3. Comunidade Valenciana. Fichas de diagnóstico de pragas. Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação. Fitopatologia e controlo de infestantes em citrinos nas Terras do Ebro. Dr. Josep Maria Franquet i Bervis. Biblioteca Ibèria. 1998. Manual de doenças das plantas. I.M. Smith et al. Edições Mundi-Prensa. 1992. Pereira. Controlo integrado de pragas e doenças. Joaquin Garcia de Otazo et al. Agro Latino s.l. 1992. Podridão dos frutos da pereira causada por Phytophtora cactorum na área mediterrânica espanhola. J.J. Tuset et al. Bol. San. Veg. Plagas, 28: 639-645, 2002.